O horizonte logo se fez em dimensões diversas
E entre as sinuosas e completas formas
O mais oblíquo pensamento transcendeu.

Ah! meu passarinho

Errante e sem destino batia suas asas
Voos não alçava quando em meu caminho pousou
Cantando alegremente em meu ninho chegou
No primeiro raio de sol, nas gotas de chuva
Entre florestas e jardins
Foi assim, com a força de cada amanhecer
Juntos o horizonte conquistamos
O infinito era exato e as certezas construídas
Mas veio a tempestade e com suas asas vacilantes
Nosso ninho você deixou
Ah! meu passarinho
Hoje o vento sussurrou que a saudade (d)aqui brotou.
Há dores que escravizam, bem perto
Há dores dilacerantes, bem longe
Há dores que sufocam, bem junto
Mas também há dores inevitavelmente belas, bem fundo
Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira,
desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore.
Seu coração não bateu no peito,
o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.
(Clarice Lispector)